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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Releitura: O Desanamorfisado

Nas aulas de Arte e Ciências discutimos algumas obras e entre elas a obra de Hans Holbein, o Jovem. The ambassadors, Jean de Dinteville and Georges de Selve.

 



Hans Holbein, o Jovem.
The ambassadors, Jean de Dinteville and Georges de Selve. 1553.
National Gallery, Londres, Inglaterra.

O que me chamou atenção nessa obra foi à anamorfose do crânio. Anamorfose é uma figura que aparentemente disforme ou irregular, por reflexão num determinado sistema óptico (um espelho cilíndrico ou cónico, ou piramidal), gera uma imagem regular do objeto. Palavra de origem grega (an + morphé) que significa sem forma ou deformado. 

Recorte: Hilca Stela
 
Buscando fazer uma releitura dessa obra “desanamorfisei” o crânio e fiz uma menção a objetos usados em laboratório de ciências. Fiz um desenho representando um cientista em pose de fotografia com um casaco preto remetendo a roupa utilizada na obra. O cientista que representei é alguém, pensativo e preocupado com criações e experimentos.

 
O Desanamorfisado
Releitura: Hilca Stela
(Técnica:Grafite e Sulfite A4)





Em uma das nossas aulas o professor comentou sobre  Gunther von Hagens, um artista que usa a técnica de plastificação, técnica desenvolvida e patenteada por ele é inovadora por conseguir evitar que o corpo continue em decomposição através da plastificação com o uso de silicone. Ao mesmo tempo em que ela traz grandes vantagens para o estudo da medicina e pesquisa anatômica, traz também consigo polêmicas e discussões de cunho ético e moral e claro também de cunho religioso. Von Hagens garante que os corpos são doações de famílias ou de pessoas que antes de morrer deixam claro seu desejo de serem “esculpidas”.
Seu trabalho não se limita apenas em plastificar corpo de humanos como também corpo de animais. Com as esculturas de corpos de animais e humanos dele é possível reconhecer músculos, órgãos, ossos não apenas numa posição normal como também em determinados “movimentos” como quando praticamos esporte. Além disso ele também faz recortes transversais dos órgãos.
Gunther von Hagens, um artista que desanamorfisa os corpos!



Foto do von Hagens: Turélio
Fotos da exposição: Plasmastik

http://alemanhaeinfach.wordpress.com/category/plastificacao-de-corpos/

Releitura: Arte: a ciência da Liberdade!

     A pintura "An Experiment on a Bird in the Air Pump", do pintor inglês Joseph Wright of Derby, parece demonstrar o entusiasmo ao método experimental da “nova ciência” idealizada pela primeira modernidade filosófica sob o expoente de pessoas como Galileu Galilei e Francis Bacon. 


"An Experiment on a Bird in the Air Pump" - Joseph Wright of Derby



     Nela pode-se ver uma figura, representada na forma de uma pessoa em frente à janela, possivelmente encarregada de fechar a cortina para obstruir a luz da Lua.




Recorte: Luana Mendes





     Baseio a presente releitura nesta figura, na medida em que ela é a responsável pelo que torna o processo científico hermético, fechado, representando o ideal lógico-positivista da testabilidade em condições arbitrariamente conduzidas. Aqui, a assepsia laboratorial da experimentação científica parece deparar-se com um paradoxo epistemológico: a ciência, cuja responsabilidade e objetivo maior é explicar o mundo, acaba por fazê-lo fechando-se do mundo. As paredes brancas do laboratório obstruem a luz que vem de fora.
     O conceito de “arte” e “artista”, sendo construtos datados da modernidade renascentista, alterou a noção de “artesão”. Esta remetia à uma pessoa, na maioria das vezes desconhecida, que, até o final da Idade Média, apenas prestava serviços para algo ou alguém. Cria-se, então, uma aura fantasiosa em torno da pessoa do artista na medida em que ele é, a partir de então, considerado um dos poucos gênios portadores de um dom – o dom da arte – concebido por Deus. Isto acaba por distanciar as pessoas da produção artística, desprezando o potencial criador que todos tem em si de forma inerente.
     Neste preciso sentido, entendo que a releitura acaba por também limitar este potencial criador, pois tomamos como base obras de artistas renomados para “criar” algo a partir do que já foi criado, o que “fecha as cortinas” do mundo do espírito, da criação e da preservação da ação criativa, imaginativa e subjetiva próprias de todo e qualquer ser humano.



Arte: A ciência da Liberdade! - Luana Mendes. A imagem é uma crítica tanto à noção de "ciência" no sentido hermético quanto à noção de "releitura" no preciso sentido de sua reprodutibilidade de ideias.


     
     Em meu desenho, escolhi representar a figura do cientista - representado por um personagem criado por mim e que faz parte de minha poética, um cidadão com uma cabeça "proibida", "nula" - em sua prática laboratorial, com as “cortinas fechadas” para todas as variáveis do mundo “lá fora”. Nele, o cientista observa a si mesmo, remetendo às exaustivas repetições experimentais da ciência empírica. Assim, a presente imagem traz à luz o modo como a “objetividade científica” paga seu preço pela explicação na medida em que se divorcia do mundo de fato, “o mundo da ciência” versus “o mundo”; modelo versus Realidade. Da mesma forma, denuncia o caráter limitador da prática tradicional do ensino das Artes com o método de releituras que, na maioria das vezes é feita de maneira errônea pois, ao invés de abrir um leque de possibilidades de criação, acaba por cerrar e limitar a criação à ideias já produzidas.


Técnica: Grafite e lápis de cor sobre folha de papel canson.

Releitura: "Sem título"

"Sem título", Releitura: "Planetário"do artista Joseph Wright of Derby. Autora:Josiane Bertolleti


Dentro das imagens dos quadros apresentados em sala de aula a serem escolhidos para fazer uma releitura da obra, foi escolho o quadro “Um filósofo fazendo leitura sobra um Planetário na qual usou uma lamparina no lugar do Sol” (1766), do artista Joseph Wright of Derby (1734-1797). Esta pintura representa os principais avanços científicos da época, através de uma representação do “Planetário” que foi um instrumento inventado no início do século XVII para poder mostrar o movimento dos planetas em torno do sol no decurso de um ano.
As esferas anilares da pintura e da releitura representa a trajetória do sol e da lua que é chamada de eclíptica (onde ocorrem os eclipses), juntamente com as linhas do equador terrestre (que separa a terra em duas partes iguais). Contem também os anéis que fazem referência ao Pólo Sul e o Pólo Norte Celeste; a linha imaginária do Trópico de Capricórnio e o de Câncer e a própria forma cilíndrica da terra. A expressão dos personagens busca semelhar-se à mesma da obra, como curiosidade e surpresa em testemunha a representação do planetário.
A releitura partiu da vontade de representar o tema da pintura utilizando algumas técnicas e estilos da contemporaneidade, na qual para o desenho foi escolhido o estilo Cartum, que consiste em estilizar e destacar algumas partes e contornos do desenho e a técnica tridimensional, na qual representa o planetário. A representação do planetário no tridimensional auxilia num maior entendimento de como seria e funcionava o experimento. Essa representação tridimensional foi baseada na técnica pop-up que consiste em imagens que parecem saltar das páginas quando é aberta composta de uma dobradura confeccionada com muito cuidado, no qual exige um trabalho de arquitetura de papel muito sofisticado, mesmo o mais simples dele. O experimento retratado por Joseph Wright, auxílio na compreensão de como ocorreu e sucedeu os conhecimentos científicos daquele período, que foram sendo aprimorada ao longo dos anos até o conhecimento que se tem atualmente. Havendo uma articulação entre arte e ciência.
                       
Técnica: Folha canson 21,0 cm x 29,7 cm, 140g, caneta nanquim, lápis grafite 3B, tiras de papel sulfite, cola branca.

Releitura: EXPERIMENTO DA EXISTÊNCIA DO QUE NÃO EXISTE



                               EXPERIMENTO DA EXISTÊNCIA DO QUE NÃO EXISTE



 A obra Experimento da Existência do Que Não Existe faz referência à prova da existência do vácuo, a existência do “nada”, do vazio. Como na obra O Experimento Com Uma Bomba de Ar (utilizada como referência para a releitura), é retratado um pássaro como cobaia, porém na releitura o animal é representado no meio de um recorte emoldurado do espaço sideral, que sabemos ser constituído majoritariamente de vácuo. Ao redor dessa moldura apresentam-se anéis que fazem alusão a translação dos planetas, ou até a criação do vácuo se estes girarem extremamente rápido.
 Na parte inferior está representada uma criatura que cospe ar, porém este não penetra no círculo que contém o pássaro, pois o vácuo não contém nem o ar. Por isso do estar pássaro morto.
(técnica: grafite e nânquim sobre papel canson )

Releitura: As Cacatuas

       Em nossa disciplina Arte e Ciência – Diálogos Interdisciplinares I, foram apresentadas algumas obras em que esse diálogo entre ciência e arte pôde ser percebido e averiguado. Dentre as representações das obras mostradas estava "An experiment of a pump of air" (1768), do artista Joseph Wright of Derby, a qual escolhi para fazer uma produção de releitura proposta em aula.

         Na obra de Joseph Wright, é ilustrada uma cena familiar em que as pessoas ali reunidas assistem a  um experimento científico associado à pressão do ar. Nesta demonstração, assiste-se uma cacatua branca que foi fechada viva em um grande frasco de vidro e o ar deste está sendo extraído, para criar vácuo. O experimento tinha como objetivo demonstrar o efeito da privação do ar sobre criaturas vivas. O momento representado é a decisão do cientista, que está no centro da pintura, olhando diretamente para o espectador, parecendo empolgado, no auge de sua demonstração,
 entre reintroduzir o ar no frasco ou deixar a ave, já agonizante, morrer. Nota-se que o pintor pretendia enfatizar a onipotência do cientista, pois este estava no controle da situação, a decisão de devolver ou não a vida à ave pertencia a ele. E essa dúvida aumenta a dramaticidade da cena que é assistida com diversos semblantes que parecem reproduzir a multiplicidade de sentimentos causados pelas conquistas científicas da época: temor, indiferença, esperança, consternação e poder diante dos novos tempos.
        Levando em conta a cena retratada, optei por fazer uma inversão. Agora, na releitura, não é mais o cientista que está no controle da situação, mas sim as cacatuas. Alguns dos pássaros estão atônitos, outros entristecidos com a situação (como as crianças retratadas na obra original), e uns indiferentes. O cientista está vendado e preso em uma redoma circular de vidro pendurada no teto. O homem não sabe o que acontecerá a ele. Na ilustração não foram retratados mecanismos que controlem o ar do frasco, pois a intenção não é tirar a vida do cientista (pelo menos não pela falta de oxigênio), mas deixá-lo ali preso, na agonia de não saber o que lhe irá suceder. 
Foram representados também o luar na janela, e a fonte luminosa que estavam presentes na obra original.

"As Cacatuas"
Maria Giulia Pinel Caramaschi
(2013)

sábado, 1 de junho de 2013

Releitura: Estudo I

                                                                Releitura Estudo I

O desenho Estudo I partiu da proposta da disciplina Arte e Ciência sobre releituras de diversas obras que dialogam com as duas áreas. O desenho foi feito em folha Canson A4 com lápis grafite 2B e 6B. Optei por fazer a releitura partindo dos estudos de Vortex que Leonardo da Vinci realizou em 1508. Seus estudos tratam da dinâmica de fluidos.

                                                           Estudos Leonardo da Vinci

Relacionei a ilustração com o céu retratado na obra Noite Estrelada de Van Gogh (1853-1890), realizada em 1889. O artista representou uma aldeia durante a noite, com a lua no canto superior direito da obra, o céu com ondulações de maneira que elementos como nuvens, névoa e as estrelas se confundem nas pinceladas marcadas do artista. 

 Noite Estrelada, 1889. Van Gogh. Óleo sobre tela, 73,7 x 92,1 cm. The Metropolitano f Art, Nova Iorque.

                                               Gif animado da tela Noite Estrelada de Van Gogh