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domingo, 17 de dezembro de 2017

O MISTÉRIO DE LORA - Episódio III



O MISTÉRIO DE LORA - Episódio III

Conceito e execução da obra são de autoria dos acadêmicos Josiele Cardoso da Silva; Larissa Silvério Figueiredo; Monalisa Romanesi Santos; Thaís Joana Tito Gonçalves e Willyan Henrique Batosti da Silva.

Episódio anterior: http://dialogosarteciencia.blogspot.com.br/2017/12/o-misterio-de-lora.html


 Episódio III: O livro não catalogado

                                                       
       

 Naomi pega o livro não catalogado em suas mãos de tal forma que alguns cartões caíram de dentro dele. Eram cartões postais, feitos à mão, endereçados a Ellora. Antes mesmo de ler os postais, entrou em uma espécie de transe perdida em seus próprios pensamentos, rodeados de inúmeros questionamentos: Quem escreveu isso? De onde veio? Por que com tantas redes sociais ainda escreveriam cartões postais? No que Ellora estava se envolvendo? Naomi não entendia o que estava acontecendo, muitas coisas não lhe faziam sentido.  Em pouco tempo; ela tinha perdido sua amiga de uma maneira inusitada e agora estava com possíveis pistas em suas mãos.
 Naomi não tinha levado consigo nenhuma pasta, não havia nada em suas mãos, além do livro, mas ela não queria que ninguém visse aquilo, mas não tinha como sair com um livro da biblioteca sem que ninguém percebesse. Com a agilidade e discrição que este momento exigia, ela colocou os cartões postais dentro do bolso de sua blusa, já o livro resolveu olhar rapidamente e aparentemente não havia nada de suspeito nele, era apenas um livro sobre sinestesia como se dá a sinestesia nas produções textuais -. Não sabendo o que esperar disto e nem se seria perigoso outra pessoa saber o que ela tinha acabado de encontrar, devolve o livro em seu lugar, mas fica cogitando a possibilidade de voltar mais tarde para pegá-lo.
Ela precisava controlar sua ansiedade e encontrar o amigo de Ellora, que ela nem ao menos sabia o nome. Ao se movimentar entre as prateleiras, o vê de pé perto das escadas a esperando, ela seguiu em sua direção, fingindo que nada tinha acontecido, dizendo apenas a ele que tinha ido andar entre as prateleiras enquanto ele pesquisava. Os dois desceram e se dirigiram ao café literário para conversarem. Ele falou algumas coisas sobre a Lora, que ela era muito estudiosa, que estava com alguns projetos artísticos e outras coisas, mas nada daquilo interessava muito a Naomi, que ainda não sabia o nome daquele moço com o qual conversava, sabia apenas que ele fazia Engenharia da Computação, por causa de sua camiseta.
Assim que eles se despediram, Naomi passou numa livraria, comprou um caderno e uma caneta e se dirigiu novamente a biblioteca. Chegando lá, se dirigiu até as prateleiras em que pouco tempo atrás estava após ter encontrado a sequência de números que Lora havia enviado. Naomi encontrou facilmente o livro e resolveu sentar em uma das mesas mais escondidas para olhar mais atentamente o livro, e de fato constatou que não havia nada de interessante naquele livro, mas mesmo assim resolveu levar ele com ela. Como ele não estava catalogado, não tinha como pegar emprestado, simplesmente o colocou entre suas coisas e saiu da biblioteca, seguindo em direção a sua casa antes que anoitecesse, afinal tinha ficado quase o dia todo dentro da UEM.

Chegando em casa, estava muito cansada para saber no que pensar, resolveu então tomar um banho e descansar um pouco. Mesmo o descanso não ter sido suficiente para repor suas energias, não conseguia ficar parada pois sabia que respostas não cairiam do céu, precisava compreender o que acontecera com Lora. Naomi se levantou, pegou o livro e os cartões, sentou em sua cama e começou a lê-los para entender do que se tratava. O primeiro datava de 01.05.2016:


São Paulo, 01 de maio de 2016.

Querida Ellora,

Tenho consciência de que você não tenha ideia de quem eu sou, mas tenho certeza que já sentiu algumas coisas quando não deveria sentir, ou que viu coisas que não estavam no seu campo de visão. Já deve ter pensado que há algo de errado consigo, mas pelo contrário. Não se preocupe irei explicar tudo para você por meio desses cartões, mas por enquanto tudo que precisa saber é que corre perigo. Tome cuidado com as pessoas ao seu redor.
Com carinho,
Ilíada

















Naomi tinha diante de si alguns cartões postais todos endereçados a Ellora, por alguém que se chamava Ilíada, mas afinal quem era essa pessoa? 




quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Manuscrito da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

Primeira Parte 




No dia 10 de novembro de 2017, operários que trabalhavam na restauração da fachada durante reforma realizada na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, foram surpreendidos ao encontrarem entre as buas de madeira, da parede interna do prédio, um livro embrulhado em tecidos. 


equipe de trabalhadores que restauravam a parte interna do prédio da biblioteca


intrigante documento consiste em um pequeno livro, já bastante desgastado pelo tempo e as condições em que fora armazenado. Contendo uma série de ilustrações de cunhcientífico de plantas e animais, além de possuir trechos escritos em uma espécie de ideogramas, que ainda não foram identificados. No momento está sendo examinado por um grupo multidisciplinar de pesquisadores, em diversas áreas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em um estudo conjunto nunca antes feito no país.


Livro encontrado entre a estrutura da parede da biblioteca




Por Aron Brito

Os Mistérios do moro do macaco: A descoberta

 Capítulo final


Eduardo decidiu analisar esses últimos desenhos do aparente diário um pouco mais a fundo, pegou seu bloco de anotações, que normalmente utilizava para anotar atentamente os comentários de seus clientes, principalmente quanto estavam empolgados de mais com o projeto, organizou sua mesa de forma que, o diário se encontrava ao centro, seu bloco de anotações do lado do direito e seu computador na extremidade do lado esquerdo, respirou fundo e começou a olhar detalhe por detalhe das últimas páginas registradas, o esboço da residência cuja o título era “a descoberta” aparentemente não dizia nada, ele procurou em bancos de imagem em vários sites de buscas, mas não encontrou nada parecido com o esboço realizado ali, pensou um pouco mais e decidiu passar para a próxima página, essa em questão trazia um esboço da parte interna de algum cômodo, Eduardo deduziu que fosse uma sala, ou algo próximo a isso, devido a disposição dos móveis e o tamanho do espaço, nesse esboço em questão, em uma das paredes estava escrito, 1901, ele pensou que poderia ser um endereço, e buscou todos os endereços 1901 que existiam no Rio, encontrou muitos, tantos que seria impossível verificar um por um, descartou essa possibilidade, após olhar fixamente para o esboço, notou que, no lugar da assinatura, em que normalmente se encontrava as iniciais G.B. estava gravado F.R. , Eduardo pensou na possibilidade de um outro indivíduo ter realizado aquele trabalho, talvez um amigo de Georgia, pareceu ser plausível, afinal,  é sempre um prazer, receber esboços e trabalhos de amigos em seu moleskine, lembrou de uma vez na universidade, em que ele e seus amigos, trocaram os moleskines para que cada um deixasse o seu registro no diário do outro, é, bem, talvez realmente fosse isso, mas o que continuava a incomodá-lo, era a semelhança dos traços e da técnica do desenho com todos os outros trabalhos já realizados no diário de Georgia. Eduardo registrou os detalhes notados por ele em seu bloco de anotações e passou para a próxima página, o segundo esboço aparentemente representava uma cozinha ou algum lugar próprio para se manusear alimentos ou apoiar utensílios, visto que, o ambiente esboçado apresentava dois balcões, fugindo um pouco dos padrões de design abordados em cozinhas, normalmente ele encontrava e projetava balcões em L, ou contínuos, com algumas variações, mas dois, da forma que estavam dispostos, parecia algo mal projetado, porém, eram apenas esboços o lugar perfeito para projetar algo novo, ou fazer testes, ele notou que em um deles, havia uma marca, levemente apagada, parecia ter sido apagada sem querer, quando se apaga um traço próximo, 1929, ele olhou e lembrou da página anterior, mais um número, registrou novamente em seu bloco e em seguida, procurou a assinatura, esperando que o padrão se repetisse, e ele estava certo, E.sP. , Eduardo começou a descartar a possibilidade de ser um trabalho realizado por algum amigo, ou algum outro artista, a semelhança entre os desenhos era absoluta , não poderia ser de artistas diferentes, não ali em um mesmo diário, começou a ficar ansioso, suas mãos geladas e aquela queimação no peito começou a surgir, passou para a próxima página rapidamente, procurando os mesmos detalhes, e lá estavam eles, mais uma vez, um esboço, onde na parede, mais um número aparecia “1956”, procurou novamente pela assinatura, dessa vez, era igual a primeira, F.R. , aquilo o estava deixando nervoso, ele tinha descoberto um padrão, porém, não tinha a mínima ideia do que ele significava, antes que pudesse continuar a confabular hipóteses, seu telefone toca, ele o retira do bolso e olha para a tela, terça-feira, 1:30, quem estaria ligando esse horário, ele já deveria estar dormindo há algumas horas, resolveu atender, após o alo e a apresentação de que estava ligando, não houve espanto, malagueta tinha acabado de sair de um de seus negócios e disse que gostaria de entregar metade do dinheiro do projeto antes que as obras se iniciassem, como haviam combinado, relatou que havia um carro a espera de Eduardo em frente ao seu portão e que o carro iria levá-lo até malagueta. Eduardo, fechou o diário, seu computador e foi de encontro a malagueta, após a bons minutos de carro em direção a uma parte nobre da cidade, chegaram a um portão que abriu assim que notou a chegada do carro, ao entrarem pelo portão, sentiu que aquilo lhe era familiar, mas era impossível, nunca esteve naquela região antes, malagueta estava esperando na entrada da casa com um envelope, entregou a eduardo e conversaram um pouco sobre o projeto, entretanto, mesmo eduardo parecendo presente na conversa, seu pensamento estava fixo no porque aquilo ali lhe era tão familiar, essa dúvida não o deixava se concentrar em mais nada, prendeu totalmente sua atenção, terminaram a conversa, Eduardo entrou novamente no carro com seu envelope e quando estava saindo pelo portão, as luzes da casa se apagaram e foi então que os contornos apagados da construção fizeram sentido, esse era o esboço que ele havia encontrado no diário de Georgia.
Anne Baliscke, Guilherme Mello, Mariana Silva e Vanessa Arnaut

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

CCCP EU CHEGO PERESTROIKA (Пі́ца сыр и водка) –

As abominações cometidas pelos nazistas no holocausto e os crimes de guerra jamais deixarão de existir como uma cicatriz escarificada na história da humanidade. Após a derrota do exército de Adolf Hitler na gélida Rússia, e do declínio do partido nazista alemão, com sua extinção em 1945 (ano que culminou o fim da Segunda Guerra Mundial), começou-se o período conhecido como Guerra Fria. Com a derrota da Alemanha, a grande Rússia pode estender suas relações na reconstrução da Europa, que estava completamente despedaçada pelos conflitos armados.

No sistema Gulag durante o regime da União Soviética, prisioneiros políticos e criminosos de guerra eram forçados a viver em campos de trabalho forçado, diferentes dos campos de extermínio eugenistas alemães. A Sharashka era o nome dado ao laboratório informal de pesquisas do serviço secreto, no qual trabalhavam cientistas prisioneiros vindos dos campos de trabalho, para servirem ao estado com seus conhecimentos e nos avanços tecnológicos.
Emblema da KGB, organização do serviço secreto da União Soviética.

Nesses campos, muitos estudiosos russos e alemães viviam em condições exploratórias nesses laboratórios. Muitos cientistas alemães foram exilados pelas suas pesquisas, e foram perseguidos pelos nazistas. Por exemplo, os descendentes de Heinrich Hertz, o grande estudioso alemão da física eletromagnética, tiveram que fugir da Alemanha por perseguições políticas do partido.
Havia interesses dos nazistas nas pesquisas cientificas produzidas nos territórios do Terceiro Reich, principalmente pelo potencial bélico do desenvolvimento tecnológico. Todo conhecimento produzido em solo alemão deveria estar a serviço do Fuhrer, e muitos cientistas alemães que se recusaram a colaborar com o partido nazista, fugiram e foram parar em campos de trabalho forçado como presos políticos.
Inventor, músico e espião soviético Lev Sergeyevich Termen (1896 – ?)

Numa das salas deste laboratório, um jovem inventor russo apaixonado por música, mostrava sua engenhosidade com os experimentos mais recentes já realizados sobre estudos do som e sobre efeitos óticos a partir do uso da eletricidade.
Seu nome era Лев Сергеевич Термен, mas preferia o modesto apelido Léon T. Desde criança, Léon era um aficionado pela potência sonoras das marchas do partido comunista, e seu interesse por instrumentos musicais o inspiraram ao inatingível, um instrumento que pudesse ser tocado sem as mãos. Também era um grande conhecedor de música clássica, sendo um grande admirador de Beethoven e de Tchaikovsky.
O inventor construiu vários dispositivos tecnológicos que lhe deram notoriedade como físico e cientista do partido comunista soviético, surgindo graças ao seu desempenho uma oportunidade de expor suas invenções nos Estados Unidos, numa ação conjunta ao serviço secreto russo.

Dispositivo de espionagem encontrado em brasão dos Estados Unidos, presente dado ao diplomata americano W. Averell Harriman, pela União Soviética em 4 de agosto de 1945.

Sua tarefa consistiria em desenvolver um dispositivo de espionagem para extrair informações sobre os planos de guerra dos americanos. A intensão de sua viagem ao ocidente estava relacionada aos interesses do partido comunista russo, porém no trajeto, o inventor conheceu o amor de sua vida, uma jovem virtuosa instrumentista chamada Clara Rockmore, uma descendente bastarda de uma rica e influente família de banqueiros, os Rockfellers.

Rockmore e Léon T.

                A música uniu o casal, que compartilhavam os mesmos anseios sobre a capacidade da música em influenciar as emoções e os sentimentos nas pessoas, e ambos acreditavam que o conhecimento sobre essa propriedade da música não deveria ser restrito.
Clara conhecia as relações da família Rockfeller com as organizações mundiais secretas, que por meio da indústria cultura e da publicidade, manipulam o mercado e a rotatividade monetária global.
                A última vez que os dois foram vistos juntos foi durante a apresentação do russo Mikhail Baryshnikov nos Estados Unidos em 1974, quando o bailarino se opôs ao regime popular social, pedindo asilo político fora de seu país.
                Não se sabe até hoje o que aconteceu com o casal de músicos, nem para onde foram. Alguns acreditam que eles foram pegos pela Nova Ordem Mundial, outros dizem que eles se juntaram a organização.
O que sabemos é que antes de sumirem, Léon T. vendeu a patente de seu instrumento musical, que recebeu o seu nome, a uma das maiores gravadoras de discos do mundo. Existe uma história que conta que o inventor investiu todos seus recursos em novos estudos sobre a manipulação das ondas, e que a sua busca pelo inatingível, traspôs-se para a busca pela imortalidade.
Acadêmico: Yan Kimura.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Os mistério do moro do macaco: O diário

Capítulo III
Ao chegar em casa, Eduardo ligou seu computador e abriu o moleskine, começou a olhar pagina por pagina, nas primeiras páginas, haviam esboços lindos, com um conhecimento e técnica arquitetônica extremamente bem executados, admirou-se da qualidade e da engenhosidade dos esboços registrados ali, logo, algumas perguntas começaram a surgir e a curiosidade de saber, de quem era aquele moleskine, estava o deixando impaciente, procurou em todas as folhas, capas, cantos do livro, por um nome, mas não encontrou nada, observou apenas que, em alguns esboços, no canto inferior direito, estava assinado G.B., eduardo parou, olhou bem para as iniciais, seu estômago começou a queimar, sua respiração se tornou ofegante e seu raciocínio não sabia exatamente por onde começar, G.B., será possível que seriam as iniciais de Georgia ? Não poderia ser tanta coincidência, ou poderia ? Eduardo, começou a observar com mais atenção cada desenho e cada esboço, percebeu que alguns esboços realizados ali lhe eram familiar, então, decidiu olhar os trabalhos de Georgia no site em que ela mantinha sua seleção de obras, e exatamente como ele imaginava, alguns dos esboços presentes ali estavam materializados em locais de grande renome no Rio de Janeiro, Eduardo então, teve certeza de que aquele moleskine que posteriormente, deduziu ser também uma espécie de diário, eram sim de Georgia e o que mais o estavam incomodando é que, se ela tivesse apenas se mudado, nao teria deixado para trás todos os seus esboços. Eduardo então, com as mãos frias e úmidas, começa a folhear página por página, cuidadosamente, procurando observar cada detalhe, após olhar todos os esboços, um deles que não estava no site da arquiteta, chamou a atenção, era o único desenho, que havia um nome, ou título, ou comentário, eduardo não tinha certeza do que era exatamente, estava disposto, no canto esquerdo superior do desenho, quase centralizado, isso incomodou um pouco eduardo, pois, mesmo sendo apenas um moleskine, normalmente o título, ou seja lá o que fosse, deveria estar centralizado, era algo simples de ser executado, a artista que havia feito o desenho em questão, dominava técnicas de espaço, forma e linhas como ninguém, mas porque o título, algo tão simples, estava fora de sua estrutura ?


Eduardo continuou folheando, percebeu que em alguns desenhos, mas dessa vez, de partes internas tinham alguns comentários, ele estranhou, já que, não haviam outros desenhos de partes internas no moleskine, e aparentemente, esses esboços internos, faziam parte do mesmo lugar, pareciam ter sido feitos na mesma época demarcando pontos de vista do mesmo ambiente, a mesma técnica, a caneta estava com a mesma intensidade e constituíam as últimas folhas.
Anne Baliscke, Guilherme Mello, Mariana Silva e Vanessa Arnaut

DE TUDO ESSE OLHO AINDA NÃO OUVIU

“O olho que tudo vê, mas não ouve. ”
                A influência das artes visuais e da música no ethos foi explorada em muitos momentos na história da humanidade, em que o potencial estético das manifestações artísticas e musicais serviram às relações de poder nas implicações sociais.
                O canto litúrgico e o monopólio intelectual da igreja na Idade média, o financiamento de obras pelo mecenato no Renascimento, a influência social e econômica da burguesia ascendente, que patrocinou peças no Barroco e no período Romântico, são exemplos de como as artes mobilizaram na sociedade o potencial inventivo e estético da criação humana, nas diversas circunstancias em que se propagaram.
               Diversos grupos sociais detectaram que as artes e a música podiam formar vínculos entre seus contemplantes, podiam sintoniza-los às frequências poéticas de uma mesma obra, de uma mesma façanha humana, numa forma esteticamente inventiva e inovadora, capaz de exprimir poeticamente as questões de seu tempo:

Joseph Haydn (1732 — 1809), Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) e Ludwig van Beethoven (1770 — 1827)

                Compositores notórios da história da música, como Haydn e Mozart, pertenceram à irmandade secreta dos maçons. Existe um dado omitido na história sobre a participação dos músicos na maçonaria. Eles foram contratados para comporem peças musicais capazes de evocar o ethos das pessoas, promover o sentimento de plenitude universal das notas musicais regidas pela Música das Esferas.
                O jovem prodigioso compositor alemão Ludwig van Beethoven chegou a conhecer os dois compositores maçons como aluno, porém nestes supostos encontros, foram cogitadas as formas de convite do compositor à fraternidade. Seu contrato consistiria na produção de nove peças, em homenagem às nove musas filhas de Zeus, e ao número de cordas da lira de Hermes dada por Apolo.
                Indeciso sobre a ideia de participar de composições programáticas sob interesses de uma organização secreta, o compositor se arrependeu de ter aceito o convite, mas já era tarde demais. Ele já havia sido iniciado na irmandade, e já havia ouvido conversas sobre questões importantes dos maçons. A condição para sua saída seria passar pela “Punição de Prometeu”, custando sua audição e a impossibilidade de escutar suas próprias sinfonias.
                Existe uma teoria sobre a décima sinfonia de Beethoven, que muitos músicos e teóricos descartaram a existência, porém alguns estudiosos atestam que a obra seria a vingança do compositor, que de maneira sinfônica vazou os segredos da música universal e dos modelos sonoros usados no controle de pessoas pela manipulação da imagem e do som.

Acadêmico: Yan Kimura.

MUSIQUE NON-STOP

Pitágoras (570 – 495 a.C) testando a relação da música e dos números com pesos em uma gravura de um livro de 1492, de Franchinus Gaffurius, chamado Theoria musicae.

Nos tempos da Antiga Grécia, Pitágoras observou que quando um ferreiro malhava na sua bigorna, eram produzidas diferentes notas conforme o peso do martelo. A descoberta de Pitágoras de que as notas musicais podem ser expressas como razões matemáticas estende-se à relação que é formada quando estas notas são representadas graficamente: o gráfico tem a forma de uma Espiral Dourada, e quando é feita em três dimensões, toma a forma da cóclea.
Os pitagóricos diziam que a órbita de cada um dos sete planetas produzia uma nota particular de acordo com a sua distância até o centro do universo, que ainda se pensava ser a Terra. Esta ideia veio a ser conhecida como Musica mundana, Música das Esferas ou Harmonia do Universo, e pensava-se que os sons produzidos eram tão puros que os nosso ouvidos vulgares eram proibidos de ouvir. “Deus”, a “grande” unissonância, pode determinar através do tensionamento das cordas do universo, a densidade de toda a matéria entre o Empíreo e a Terra:

 
Monocórdio de Robert Fludd, que dizia que o instrumento é o “princípio intimo que condiciona, a partir do centro do Todo, o acorde de toda a vida no cosmos” (Utriusque Cosmi, Vol.I, Oppenheim, 1617).

“As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam. ”
1 Coríntios 2:9
Acadêmico: Yan Kimura.

TÔ TE LIGANDO DE UM ORELHÃO

A parte interna do ouvido, chamada cóclea (“concha de caracol” em grego), é responsável pela audição humana, e apresenta a proporção áurea em sua forma, projetando exatamente a constante Φ (1,618...), assim como outras formas da natureza apresentam a sequência, descrita pela primeira vez (1202) pelo matemático italiano Leonardo Fibonacci (1179 – 1250), ao observar o crescimento de uma população de coelhos.
A audição é exclusiva dos vertebrados tetrápodes: anfíbios, répteis, aves e mamíferos. A cóclea humana possui uma formal espiral que nos permite ouvir aproximadamente dez oitavas de som. Outros mamíferos têm voltas de diferentes números, e isto explica porque eles conseguem alcançar sons diferentes dos que os humanos ouvem. As aves, por exemplo, não têm pavilhão auricular (orelhas), mas sua capacidade auditiva é maior que a do ser humano.
A cóclea no interior do ouvido humano está encaixada numa concha dura cheia de líquido, onde as vibrações dos sons passam ao serem receptadas pelas orelhas, e batem na base da cóclea, viajando em ondas para cima e em redor do líquido interno. Cada som faz ondas que se quebram em pontos diferentes, e a turbulência dessas ondas ao quebrarem faz com que os pelos sensitivos enviem sinais elétricos para o cérebro interpretar.
Além de projetarem a sequência Fibonacci e da sua função auditiva, nossas orelhas também têm uma função relacionada ao equilíbrio. Em todos os vertebrados existem canais semicirculares, que informam sobre a posição do corpo. O nosso equilíbrio interior depende da Espiral Dourada (referente a “proporção de ouro”).
Ela está em ação nas espirais sem fim que mantêm todas as partes do corpo em equilíbrio: está em ação no centro do nosso corpo, em nosso âmago, está no coração humano – um músculo em forma de espiral cujo pulsar, por meio de contrações e relaxamentos contínuos, envia constantemente sangue para o corpo inteiro, através dos nossos 96.000 km de vasos sanguíneos.

Acadêmico: Yan Kimura.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Os Mistérios do moro do macaco: O projeto

Capítulo II

No dia seguinte, Eduardo retornou ao escritório e iniciou o desenvolvimento do tão conturbado projeto, analisou elementos que o Senhor Malagueta exigiu na construção de sua casa noturna, após pesquisas e tentativas de elaboração o arquiteto infelizmente se deparou com um pequeno bloqueio de criação, então, teve a ideia de ir até o local onde seu projeto seria executado, apostando assim, na possibilidade, de que talvez, visualizar o espaço, pudesse lhe trazer algumas boas ideias. Eduardo sai do escritório e se direciona até o local, no caminho, começa a divagar sobre os arquivos que havia olhado noite passada, a arquiteta aparentemente desaparecida e seus trabalhos, encontrou algumas perguntas, em relação a sua ausência em projetos desenvolvidos recentemente e a pergunta que mais lhe incomodou foi, o porque ele havia sido “convidado” para esse novo projeto se a arquiteta anterior era muito mais experiente e premiada que ele ? porém, antes que essa pergunta o consumisse um pouco mais, Eduardo chegou no local, desceu do carro e olhou o terreno por alguns instantes, parado, com as pernas entre abertas e braços cruzados, em frente do terreno, Eduardo fitou todos os cantos e detalhes, dos escombros que havia ali, ainda estava uma bagunça, Malagueta havia dito, que os escombros seriam retirados na terça e que a partir daí, já poderia dar início a construção. Enquanto Eduardo olhava fixamente pelos escombros, seu olhar acabou se perdendo e seu pensamento começou a divagar e oscilar entre o que seus olhos viam e o que a sua mente se ocupava, que no caso, estava cheia de dúvidas sobre tudo que acontecera tão rápido, esse projeto arriscado, uma arquiteta desaparecida e aparentemente, um bloqueio criativo que o prendia a esse trabalho como em um cárcere, eduardo chacoalhou a cabeça, respirou fundo e decidiu adentrar o terreno, seus primeiros passos foram difíceis, estava tudo muito bagunçado, parecia que não tinha sido uma demolição muito agradável, ao caminhar um pouco sobre paredes, portas pedaços de móveis, eduardo se deparou com algo que parecia ter sido uma estante, pode ver que havia utensílios e objetos pessoais em meio a tudo aquilo, estranhou um pouco, mas não se ateve a isso especificamente, pois, encontrou alguns livros, e um deles tinha uma capa que lhe era familiar, não sabia exatamente onde tinha visto, mas lhe era familiar, se abaixou revirou de forma cuidadosa as partes que restavam dessa estante e sob um pedaço de madeira, encontrou um objeto, que em seu início parecia algo como um livro, porém, sua capa era toda preta, lembrava um moleskine que ele tinha quando fazia faculdade e adorava esboçar futuros projetos, ou até mesmo, desenhos que decidiu realizar em seu cotidiano, Eduardo, pegou esse livro e começou a folhear, notou que continha alguns desenhos e algumas coisas escritas, contudo, estava escurecendo e ele decidiu leva-lo para casa.
Anne Baliscke, Guilherme Mello, Mariana Silva e Vanessa Arnaut

Os Mistérios do moro do macaco: A carta

Capítulo I
Eduardo Brutinel, nasceu em 1989 na cidade do Rio de Janeiro, formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio De Janeiro – UFRJ. No ano de 2007 Eduardo foi premiado como um dos melhores arquitetos do Rio de Janeiro, e isso chamou muita atenção, toda dia ao chegar em seu escritório, ele se deparava com uma mesa cheia de cartas, que sua secretária, gentilmente recebia e as empilhava no canto direito de sua mesa, próximo ao computador, em meio a todos os convites de projetos e eventos importantes, Eduardo recebeu um em especial, todos os convites até o momento, chegavam em cartas oficiais, com um cuidado imenso, já que até o presente momento, ele era o arquiteto mais respeitado da região, porém não essa, ao olhá-la, Eduardo teve um breve momento de estranhamento, em meio a tantas cartas brancas, limpas, cartas que qualquer um teria vontade de abrir e se deliciar com o seu conteúdo, essa em especial, estava suja, mal feita, parecia ter sido dobrada às pressas, sem interesse algum em encantar o seu remetente à primeira vista, Eduardo ao pegá-la, exitou por alguns momentos, olhou fixamente para a única coisa que estava escrita naquele papel sujo e velho, em letras tortas e dignas de alguém sem familiaridade alguma com a escrita, em tinta preta, nove letras, “Malagueta”, finalmente, tomou coragem e resolveu abri-la, em seu interior continha uma outra folha, com poucas palavras, Eduardo estava se sentindo desconfortável,não sabia exatamente porque, mas aquela carta o incomodava, sentou-se, recostou suas costas na cadeira de seu escritório, respirou fundo e iniciou a leitura
Senhor Eduardo, sou o Malagueta, caso o senhor não tenha escutado falar de mim, sou o dono de inúmeras casas noturnas no Rio de Janeiro, acabo de esvaziar um terreno e gostaria de expandir meu negócio, vi o senhor no jornal e acho que seria uma ótima troca, eu adquiro uma nova casa noturna feita pelo melhor arquiteto do Rio e o senhor, poderá dormir tranquilo a noite, principalmente agora que o senhor está famoso, acredito que seria muito triste ir ao seu velório tão cedo, portanto, caso aceite o meu convite, me encontre, segunda feira,  rua das laranjeiras, nº 847, segunda as 18:00 h.


No primeiro momento após o choque com o conteúdo da carta, Eduardo pensa em avisar a polícia, porém, se o indivíduo é mesmo quem diz ser, deve ter contatos em meio aos departamentos de polícia, após pensar por alguns momentos, decidiu não ir, afinal, havia recebido uma carta sem remetente, praticamente o obrigando a ir em um lugar que para ele era desconhecido, ele parou, olhou no relógio, segunda feira 15:00 h, mas, e se fosse sério, e se o tal do Malagueta, realmente estivesse disposto a matá-lo ou qualquer coisa, que aparentemente, era tão assustadora quanto a primeira hipótese, sua testa começou a soar e sua mão estava fria, a gravata parecia mais apertada que o normal e a saliva não era engolida facilmente, Eduardo resolveu olhar em um mapa, onde exatamente era esse lugar, e descobriu que não era tão longe de seu escritório, estranhou porque, ao olhar pelo Google Street View, o local exato especificado na carta não estava vazio, havia uma casa no local, um pouco afastada, porém não parecia ser um bom lugar para se fazer uma casa noturna. Após pensar sem parar em inúmeras hipóteses e possibilidades, Eduardo decidiu ir, visto que, se ele fosse e tudo passasse de uma brincadeira de mal gosto, poderia ir até a sua casa tranquilo e sem preocupações, algo que ele estava se esforçando para acreditar, marcava 17:30 h em seu relógio, entrou em seu carro e dirigiu até o local, chegou 5 minutos antes do combinado, ao encontrar o lugar, ele viu que realmente estava vazio, mas que aparentemente havia sido demolido a antiga estrutura a pouco tempo, ao menos antes da última chuva, já que os resíduos de cimento que formam uma camada de poeira sobre os escombros, ainda se encontrava no lugar. Eduardo esperou, por mais exatos 15 minutos, como eduardo sempre foi apaixonado por números e marcações, ele detinha um enorme controle sobre o seu tempo, sempre marcando e racionando cada minuto, quando o relógio marcava 18:10, ao longe, podia-se avistar um carro indo em direção ao local, como o endereço indicado na carta se localizava no final da rua e por três quarteirões não havia uma construção sequer, era fácil identificar qualquer coisa que se aproxima-se, Eduardo estava inquieto e de certa forma extremamente nervoso, parecia já não mais acreditar que poderia ser uma brincadeira de mal gosto, e se fosse realmente verdade, será que a vida dele corria mesmo perigo? o que ele faria? como agiria? Antes que ele pudesse desenvolver um plano de ação, o carro parou ao lado do seu, e desceram quatro homens, altos e mal encarados, estavam vestindo ternos, mas apenas um vestia shorts e camiseta, Eduardo deduziu que esse indivíduo era o Malagueta, seu estômago estava embrulhado e sua mão tremia, os homens estavam vindo em sua direção, ao chegarem perto, malagueta o comprimetou e com um ar de poder, iniciou a relatar o que gostaria que fosse feito, após toda a explicação, Eduardo sentiu uma certa urgência em relação ao projeto e isso o instigou por alguns instantes, após Malagueta apontar todas as sua exigências e Eduardo perceber que ele não tinha muita escolha, apertaram as mãos e eduardo disse que  iniciaria o trabalho no dia seguinte. Ao chegar em casa, eduardo decidiu pesquisar mais sobre Malagueta, pesquisou todas as suas casas noturnas e notou que todas tinham uma linha estética muito semelhante, procurou nos registros on-line da prefeitura por quem tinha assinado os projetos das propriedades de Malagueta, ao olhar, ele pôde perceber que todos os projetos eram de uma mesma pessoa, Georgia Benner, aparentemente uma grande arquiteta, formada na mesma universidade que ele e ganhadora de vários prêmios, porém, ao entrar em suas redes sociais e pesquisar por entrevistas e novos projetos, não encontrou nada, Eduardo estranhou, porque alguém como ela, não ficaria uma semana sem projeções de grandes projetos, eduardo respirou, olhou o celular, já era tarde, decidiu continuar sua busca depois, afinal, ainda tinha que iniciar um grande projeto pela manhã e precisava descansar, o dia já tinha sido longo demais.
Anne Baliscke, Guilherme Mello, Mariana Silva e Vanessa Arnaut