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domingo, 9 de dezembro de 2018

Das maiorias ao indivíduo


Aléxia Amanda Doro
Beatriz Marques Nolli
Betriz Naomi Ichiba
Fernanda Ayumi Sakuma 
Jacqueline Amadio de Abreu
Marcio Soares Pili
Matheus Gonçalves Gorni
Matheus Fiaux



Blade Runner 1982
O “cult movie” da ficção cientifica Blade Runne trouxe uma chocante visão do futuro, o filme se passa por volta dos anos 2000 e o planeta terra está em total decadência , a engenharia genética se tornou uma das maiores indústria de replicantes ( robôs com uma inteligência e força extraordinária), que são tão parecidos com os humanos que e praticamente indistinguível, como vimos no filme uma cena o qual o protagonista Rick Deckard( interpretado por Harrison Ford) matou uma replicante e ela sangrava como um ser humano sangraria, como também animais replicados sendo vendidos como a cobra que uma artista tem e a cobra não tem veneno.
Nos filmes de Blade Runner e trabalhado bastante sobre a questão da memória, dos nossos medos e fantasias como também a perda de identidade e desumanização, só que de formas e focos diferentes com por exemplo nos filmes são apresentados os replicantes (perfeitos humanoides) que não tem passado ou memória, sendo essa a única diferença entre eles e os humanos.
No Blade Runner de 1982 se e trabalhado como se o mundo estivesse em uma amnésia coletiva, termo trabalhado pela escritora Myrian Sepúlveda dos Santos (1989) em seu texto “O Pesadelo Da Amnésia Coletiva: um estudo sobre os conceitos de memória, tradição e traços do passado” e aborda que “O mundo da amnésia coletiva é o mundo onde a competitividade, racionalidade e informação substituem sentimentos, praticas coletivas e vínculos interpessoais presentes em antigas comunidades” que no caso do filme foram criados replicantes, robôs criados para guerra, sem memória do passado pois acreditavam que se o “Homens e mulheres, [..] desprovidos de conhecimento e experiência do passado, se tornam incapazes de sentir, julgar e defender seus direitos.”, no caso como os replicantes não tinha memoria do passado e estavam em um ambiente caótico de guerra achavam que eles não conseguiriam desenvolver nenhum tipo de sentimento e se rebelar, mas o que aconteceu foi que mesmo em um ambiente caótico os replicantes conseguiram desenvolver sentimentos como amor e um sentimento de família e que com esses sentimentos eles se rebelaram e no filme eles buscam a liberdade e tem a vontade de viver e por isso que quando os criadores deram conta disso surgiram caçadores de androides, que recebiam dinheiro caso conseguissem identificar esses replicantes e matarem.
  




Blade Runner 2049
Nos filmes de Blade Runner, vimos que a memória é o principal fator que diferencia um replicante de um humano. A memória, antes da mídia, era constituída de uma memória coletiva, normalmente construída pela convivência, família e religião. Dessa forma, cada grupo de indivíduos tinham sua própria memória, o que foi muito importante para manter uma memória de grupos marginalizados.
Posteriormente, com o início da mídia de massa, mais especificamente com a criação do cinema, a memória não é mais limitada a partir da família ou religião, o cinema atinge o espectador com tal impacto, que acaba por imprimir outras memórias em um indivíduo, ou seja, uma memória que não é sua começa a te afetar.
Para Alison Landsberg, essa memória se denomina memória protética, conceito esse que ela constrói em seu livro Prosthetic memory: the transformation of American remembrance in the age of the mass culture. De acordo com Landsberg, a memória protética é construída exteriormente ao indivíduo e esse individuo pela para si essa memória e se constitui enquanto sujeito considerando aquela memória como dele, e isso acaba por produzir empatia, como é o caso de nós, brasileiros nascidos no fim do século XX e início do século XXI, nos sentimos incomodados com assuntos como holocausto, escravidão ou até mesmo a ditadura, mesmo que não tenhamos participado efetivamente desses momentos, mas adquirimos esses sentimentos de raiva pelas pessoas que fizeram isso, e empatia para com as vítimas desses acontecimentos, através dos filmes assistidos e histórias contadas. 
E essa ideia de memória protética de Landsberg se relaciona com o filme Blade Runner, tanto o de 1982 quanto o de 2017, por trabalharem, como dito anteriormente, com a ideia de que a memória diferencia os humanos dos replicantes. Mas durante ambos os filmes, percebemos que mesmo a memória do replicante não sendo originaria dele, ela o constitui enquanto indivíduo e define quem ele é. Ou seja, mesmo que essa memória não tenha pertencido ao passado do replicante, ela forma o que ele é durante o presente. 
No filme de 2017, Blade Runner 2049, diferente do filme de 1982, os replicantes sabem que são robos, e sabem que suas memórias são falsas. Um dos pontos mais importantes para discutir memória nesse filme, é na cena que o K, ao tentar descobrir se ele é o bebe replicante, vai atrás de uma memory maker (personagem que tem a função de criar as memórias para os replicantes) para saber se sua memória de infância é real ou criada. Inicialmente, a personagem memory maker já é importante para relacionarmos o filme ao conceito de memória protética, pois marca que as memórias dos replicantes são externas a eles, ou seja, são criados por outros, e o fato de ela falar que é terceirizada da empresa Wallace, marca ainda mais um caráter de alteridade da memória, ou seja, essa memória protética sempre vem de um indivíduo terceiro, que em nada se relaciona com o “recebedor” da memória. Além disso, nessa mesma cena, após a Doutora analisar a memória de K e confiar que ela é uma memória real, o personagem tem um primeiro momento de reação emotiva durante o filme, pois ao perceber que aquela memória foi realmente vivenciada, aquelas memórias o afetam, e ao perceber como aquela memória o toca em um nível pessoal, e ao saber que aquela memória é real ele acredita que é o bebe replicante.  
Posteriormente ele descobre que o bebe replicante é na verdade uma menina e sendo essa a própria memory maker. E então K percebe que na verdade, aquela memória que o toca, e traz para ele sentimentos, na verdade não é dele, ela é externa, e que essa memória também é inserida em vários outros replicantes pertencentes a um grupo de revolucionários. E é essa memória, sofrida e dolorosa, que aconteceu inicialmente com a Doutora, mas que foi adquirida pelos outros replicantes que une os replicantes revolucionários, e para além da empatia que os unem, essa memória protética também traz consigo um potencial político, que acaba por unir os replicantes em busca de uma liberdade. Ou seja, essa memória protética que os replicantes adquirem para si, e que os constituem como indivíduos, possibilita também que eles se constituam enquanto comunidade e se unifiquem.





Solaris (1972)
O título do filme é o nome de um planeta descoberto e explorado pelos russos. Segundo relatos de astronautas que lá estiveram, o oceano de Solaris é na verdade um enorme organismo que cobre grande parte de sua superfície, e funciona como um cérebro, capaz de comunicar-se com seres humanos gerando materializações baseadas em memórias retiradas de suas mentes. Neste sentido Solaris é como o abismo da famosa frase de Nietzche, que quanto mais é encarado, mais profundamente olha o interior de quem o encara.
Apesar do alarde gerado por este primeiro contato, a grande maioria dos responsáveis pelo empreendimento científico vê os relatos de quem esteve lá com desconfiança, desencorajando novas viagens exploratórias. Décadas se passam, e os russos perdem o interesse de continuar suas pesquisas no planeta, limitando-as a uma estação orbital composta de uma equipe de apenas três cientistas.
A história do filme começa do ponto em que um dos cientistas da estação morre sob circunstâncias misteriosas, levando o programa espacial russo a escalar o psicólogo Kris Kelvin (Donatas Banionis) para substituí-lo.
Tarkovsky não tem pressa para chegar ao ponto onde Kris finalmente entra na estação que servirá de cenário para a maior parte da história. O primeiro ato, que ocupa quase um terço da duração do filme, se passa na Terra. Nele vemos o protagonista andando serenamente pelas cercanias da casa de campo de seu pai. A câmera do diretor examina com cuidado as plantas, árvores, um riacho, servindo ao propósito de subjetivar o último contato do protagonista com uma paisagem terrestre antes de sua viagem espacial.
Mais tarde temos nosso primeiro acesso a informações sobre Solaris através de relatos gravados décadas atrás (a data não é especificada) nos quais Henri Brenton (Vladislav Dvorzhetsky) descreve os estranhos fenômenos que presenciou enquanto sobrevoava a superfície do planeta em busca de cientistas desaparecidos em uma missão exploratória. É neste ponto que Tarkovsky apresenta o primeiro indício do exercício estilístico que realizará em toda a película. A fotografia muda para uma monocromia azulada, buscando diferenciar o passado do presente. Até aí nada que desperte muita atenção. Porém, conforme a trama se desenrola, notamos uma variação fotográfica que passa a pontuá-la até sua conclusão, e releva-se como a principal chave fornecida por Tarkovsky para desvendarmos a história e seus personagens.
Um detalhe que pode gerar estranheza, e até ser visto como deficiência do roteiro e das interpretações, é a maneira fria e superficial com que os dois cientistas remanescentes interagem com Kris. Pouco descobrimos sobre eles, apenas que o Dr. Sartorius (Anatoli Solonitsyn) é mais arisco e obcecado por seu trabalho, sempre trancado em seu laboratório realizando experimentos, enquanto o Dr. Snaut (Jüri Järvet) é o mais passivo diante da situação em que se encontram, aceitando-a e usando-a como meio de refletir a respeito do significado daqueles fenômenos não somente para eles, mas para toda a humanidade que os três ali representam. 
Kris naturalmente é o personagem explorado com mais profundidade pela trama. É através dele que descobrimos mais a respeito de Solaris. A partir de seu contato com Sarotius e Snaut concluímos que a carência física e emocional daqueles homens está diretamente relacionada às materializações que vem “assombrando” a estação, algo que se confirma mais tarde quando Kris entra em contato com uma manifestação intimamente ligada a ele.
O suspense que conduz à primeira aparição de Hari (Natalya Bondarchuk) é bem construído por Tarkovsky. Primeiro vemos Kris assistindo os últimos “vídeo-diários” gravados pelo Dr. Gibarian (Sos Sargsyan), pouco antes de seu falecimento. Em seguida a fotografia fica monocromática, comentando a impressão que o vídeo causou em Kris. Depois torna-se preta e branca, ganhando ainda mais contraste e expressividade assim que ele adormece, dando um aspecto lúgubre ao quarto, para, na cena seguinte, sermos surpreendidos pelos tons quentes e aconchegantes que invadem o ambiente assim que temos o primeiro vislumbre de Hari. É importante também notar que as cores presentes tanto nesta quanto na segunda manifestação/ressurreição de Hari remetem diretamente à cor do oceano de Solaris.
A capacidade regenerativa que Hari apresenta mais adiante é outro detalhe que não pode ser ignorado. Sendo ela a materialização de uma memória persistente de Kris, seu “poder” provém da vontade inabalável do protagonista em preservá-la, daí o fato de ela sobreviver a ferimentos físicos que não alcançam a profundidade psicológica necessária para afetá-la de maneira irreversível. E, o mais importante, é através dela que a ligação entre Solaris e o psicólogo se fortalece.
Esse fortalecimento dos laços afetivos entre Kris e Hari é bem trabalhado pela trama. No início o psicólogo trata Hari friamente, sabendo de sua verdadeira natureza, e temendo envolver-se com algo/alguém que não é o que parece ser. Porém, após a segunda vinda de Hari, Kris muda de atitude, inicialmente movido pela culpa, até admitir sua própria carência afetiva. Assim, ele se deixa envolver cada vez mais por sua lembrança manifesta. 
O homem como um ser que necessita do outro para manter-se são e consciente de sua própria individualidade é uma ideia recorrente na psicologia, e um conceito importante abordado pelo filme através da interação de Kris com Hari/Solaris, que chegam ao ponto de desenvolverem uma espécie de conexão telepática. Daí a cena próxima ao fim, na qual Kris é conduzido por múltiplas e simultâneas manifestações de Hari para dentro de uma memória sua (indicada pela fotografia em preto e branco) onde reencontra sua falecida mãe (o primeiro “outro” com que o ser em desenvolvimento tem contato após nascer). É a partir deste reencontro onírico que Solaris passa a ter pleno acesso às memórias de Kris, essencial para a compreensão da atordoante conclusão do longa.
Snaut fala sobre o surgimento, muito sugestivo, de ilhas no oceano de Solaris, que acabam por confirmar as impressões do cientista sobre as aspirações humanas.
Um dos elementos mais amplos no filme é discutir o que é real e o que não é, como o caso de Kelvin que vê sua esposa, que morreu há 10 anos, porém, não é a sua esposa, e sim uma ‘representação’ dela, fenômeno que é causado por um oceano, que começou a sondar a mente da tripulação, e a materializar, como vivas, as memórias mais profundas destas. Já ouviu falar que muitas vezes nossas memorias podem ser criadas? E muitas vezes, por acreditarmos que algo realmente aconteceu, se torna concreto para nós?
O filme foca no inconsciente do indivíduo, foca em pensar se o que nos rodeia e enxergamos é real, como lidar com o que não enxergamos, e mesmo não enxergando conseguimos sentir e mergulhar em nós mesmos... Por mais que Solaris se trate de um filme ‘futurístico’, ele não se centra em naves espaciais, descrições, robôs, etc.… ele se foca mais na humanidade dos astronautas e seu próprio inconsciente.

“Não queremos conquistar o espaço. Queremos expandir a Terra infinitamente. Não queremos novos mundos; queremos um espelho. Buscamos um contato que jamais alcançaremos. Estamos na tola posição de um homem lutando por um objetivo que teme e não deseja. O homem precisa do homem!” - Dr. Snaut




Solaris (2002)
 “I love you so much, Chris. Don´t you love me anymore?”*. Esta frase proferida logo no começo do filme carrega uma voz feminina e ecoa na cabeça de Chris Kelvin, protagonista do filme, enquanto ele está sentado em sua cama. Trata-se da voz de Rheya, o amor de sua vida que se suicidou deixando-o perturbado e com um sentimento de perda extremamente doloroso.
Chris lembra-se constantemente de sua amada. Ao acompanharmos seu dia no começo do filme percebemos o quanto o personagem é atormentado pelas lembranças de Rheya, mesmo quando está cercado por pessoas no trem. Trata-se de um local repleto de estímulos visuais, táteis, sonoros, mas Chris permanece imerso em pensamentos, alheio a tudo e todos, pois foi ali que viu sua amada pela primeira vez.
Podemos observar que esse comportamento acontece, de acordo com Eliza Bachega Casadei (2012, p.51), “justamente em torno da noção de uma memória que se apresenta como uma ação repetida que está articulada a noção freudiana de memória”. Para Freud “as percepções são depositadas na memória sob a forma de traços que, armazenados em forma de duplicata a partir de princípios diversos, formam uma extensa rede de memórias ligadas em série” (CASADEI, 2012, p. 51).
Ao parafrasear Freud (1998), Casadei (2012) explica que o inconsciente freudiano é formado por memórias retidas que podem ou não se manifestar, mas estão ali. Dessa forma, o recordar traduz-se como repetição. O que esquecemos ou reprimimos é expresso em ações, em repetições sem, necessariamente, sabermos o que estamos repetindo.

                                     Por exemplo, o paciente não diz que recorda que costumava ser desafiador e crítico em relação à autoridade dos pais; em vez disso, comporta-se dessa maneira para com o médico. Não se recorda de como chegou a um impotente e desesperado impasse em suas pesquisas sexuais infantis; mas produz uma massa de sonhos e associações confusas, queixa-se de que não consegue ter sucesso em nada e assevera estar fadado a nunca levar a cabo o que empreende. Não se recorda de ter-se envergonhado intensamente de certas atividades sexuais e de ter tido medo de elas serem descobertas; mas demonstra achar-se envergonhado do tratamento que agora empreendeu e tenta escondê-lo de todos. E assim por diante (FREUD, 1998, p. 93).

As ações de Chris mostram essa repetição. Após desembarcar na estação especial que orbita o plante Solaris para investigar estranhos acontecimentos, Chris se depara com Rheya a sua frente.

                                     Após encontrar a cópia de Rheya, Chris pergunta para o outro tripulante da nave, Snow, “what was that?”* e este lhe responde “Do you want her to come back?”*. É a resposta a essa pergunta que posiciona a função da memória do filme, mostrando-a enquanto um passado que não só se manifesta no presente, mas que se repete e, ao se repetir, forma novas ligações com o atual construindo uma rede. McFarland (2011) chama a atenção para este fato quando coloca que “a pergunta de Snow implica que Solaris pode oferecer apenas uma repetição sem fim” da imagem de Rheya (CASADEI, 2012, p. 52).

A resposta de Snow nos instiga a pensar que o sofrimento de Chris é, também, o que Freud entende como gozo. “O sintoma é o lugar paradoxal onde o sujeito, sem que ele o saiba, tem a sua satisfação sexual e, também, o seu sofrimento” enquanto “uma satisfação substituta de uma série de fantasias e de recordações de experiências traumáticas” (Apud. DIAS, 2006: 401).
Essa repetição intimamente ligada ao gozo pode ser observada diversas vezes. Chris é assombrado pela lembrança suicida de Rheya que, na estação espacial, é repetida quando a personagem ingere oxigênio liquido e morre. No entanto, a personagem ressuscita logo depois e Chris começa a vigia-la para que não cometa suicídio novamente.
A constante recusa em deixar a personagem partir e o tormento que o corrói por considerar que “lembra-se errado”, seja, exatamente por lembrar-se de Rheya como suicida, são sofrimentos constantemente vividos pelo personagem que se repetem e repetem. Trata-se de um “lugar que representa ao mesmo tempo o prazer e o sofrimento enquanto ação repetitiva” (CASADEI, 2012, p. 53). Este lugar é simbolizado por Rheya como afirma a autora.







* “Eu te amo muito, Chris. Você não me ama mais?”
* “O que foi aquilo?”
* “Você quer que ela volte?”

domingo, 2 de dezembro de 2018

Roteiro de criação. Sem título


TRILOGIA GUERRILA - OS FILMES.


Em meio a vastidão dos universos cilíndricos, dentro de um deles, encontramos um planeta. Menor que um átomo, inserido naquilo que seus habitantes chamam de galáxia, rodeando em volta de um ponto de luz junto com mais sete massas esféricas, como insetos no escuro. Ali, naquele ponto quase insignificante pesando sob o tecido do espaço, encontramos vida.
Foi registrado o primeiro sinal dela por volta de 3 bilhões de anos atrás, usando suas unidades de medida. Nada pode medir o tempo melhor do que a necessidade de seu alongamento. Unidades falhas, como o dia, o ano, não medem as intensidades, nem mesmo as ociosidades, apenas correm os números como retas em direção ao infinito. O tempo é orgânico, não é reto. E o tempo que lhes sobra de vida nesse ponto esférico, está se comprimindo.
Nesse lugar, que chamam de Terra, por não perceberem a maleabilidade, flexibilidade e piedade do tempo, continuam caminhando em linha reta para a escuridão, isso antes mesmo da luz de seu centro de órbita se esgotar. Pobre humanidade. Seres em potencialidade deixando-se exaurir antes mesmo do que lhe aguarda.
Por sorte, O Tempo lhes trará piedade. 


GUERRILA: A história que Eles não contaram.

          A Terra está cinza. Todos os habitantes que aqui ainda se encontram, não respiram com seus próprios pulmões. A poluição tomou conta de cada centímetro do planeta, e, junto com ela, a miséria. Não há comida que nasça dessa terra desgraçada. Não há água que se beba desses rios de água preta. Não há gente que se viva. Só há quem trabalha.
       Quem não trabalha por aqui, ou morre ou tem dinheiro, e quem está na segunda opção, não está nem por aqui. Mandam suas cópias malfeitas, pois assim paga-se mais barato, inclusive para o empregado. Ou deveria dizer escravo? Nem isso, pois para ser escravo, antes é preciso ser.
         “Senhor, tenha piedade de nós”.
         Algo está por vir. Quem saberá? Senhor de todos os seres vivos, ouviste minhas preces?





GUERRILA: A retaliação

       Algumas décadas atrás, diziam que o planeta jamais suportaria outra guerra, e, por isso, seria melhor apaziguar os povos por meio do diálogo. A história que Eles não contaram é que essa seria a pior maneira de destruir a Terra. O Tempo ouviu as preces do povo que o clamava. Seres programados para cumprir sua missão nesse lugar de dados armazenados em nuvem. O que é mais difícil de destruir: pilhas de concreto para todos os lados, soldados armados, bombas atômicas e tanques de guerra, ou códigos invisíveis, sem lugar no espaço e talvez nem no plano que nos encontramos?
         A guerra teve seu início, e apenas quebrar as telas dos computadores não será o suficiente para vencê-la.






GUERRILA: A Metagaláxia nos descobriu

        “Senhor, por que me abandonaste? ”
         A devastação agora parece mais poética do que a civilização de antes. Existe algo de belo no caos. A fome de agora não mata tanto, e a sede parece não desidratar. Nenhum alimento no mundo seria capaz de suprir as necessidades corpóreas sem antes destruir as amarras que os prendiam. A humanidade está saciada.
       Mas, mesmo matando a fome que assolava a alma, o corpo não se alimenta de satisfação. “Nos ajudou para nos deixar perecer em meio as cinzas? ”
        Nada dará àquele que acredita que a vida é masculina. O berço da vida é fêmea.
            A Vida. A Temporalidade. A Metagaláxia. A Trindade.





OBSERVAÇÃO: Não temos nenhuma intenção de tornar a trilogia Guerrila real, apenas a elaboramos para fins acadêmicos.

Por Ana Julia Campos, Bárbara Boer, Isabella Dinardi e Julia Onoue.



TRILOGIA GUERRILA - Teaser, Resumo e Esboço dos filmes.

Quando o fim estiver próximo, o tempo não correr mais e o espaço estiver prestes a desmaterializar, a humanidade se lembrará de onde veio. Breve nos cinemas, isso se eles ainda existirem.

CAPA TEASER DA TRILOGIA GUERRILA


       Inspirado nos filmes de ficção científica, 2001 - Uma Odisseia no Espaço, Planeta dos Macacos e Blade Runner, as acadêmicas Ana Julia Campos, Bárbara Boer, Isabella Dinardi e Julia Onoue, do curso de Artes Visuais da Universidade Estadual de Maringá, tiveram a brilhante ideia de elaborar um roteiro de  uma trilogia de filme, juntamente com as capas/pôsters, chamado Guerrila, que é a junção das palavras Guerra e Gorilas, o qual este nome foi pensado a partir do grupo de artistas feministas Guerrilla Girls, visto que nós admiramos imensamente os seus trabalhos e as críticas que eles fazem à sociedade.
        A trilogia passa-se no planeta terra, em um cenário pós-apocalíptico, destruído pelos próprios humanos devido suas ganâncias e egoísmos. A fim de mudar essa situação, surgem os androides, seres de outro planeta e que disfarçados com seus capacetes, usam de suas habilidades de programação e hack, para sabotar o sistema silenciosamente. No entanto, suas intenções são descobertas e suas identidades prestes a serem reveladas, gerando uma guerra digital.

        Abaixo, segue o esboço-resumo do roteiro da trilogia Guerrila:

GUERRILA – Resumo da trilogia 

  • A terra está em colapso – cenário pós apocalíptico;
  • Seres humanos estão se matando; 
  • Muita miséria, muita gente rica se aproveitando de quem não tem dinheiro; 
  • Chegam os androides disfarçados; 
  • Pessoas muito ricas que tem fábricas com muitos trabalhadores; 
  • Pessoas tem que usar “capacete” (tipo uma máscara de oxigênio) porque o ar está muito poluído, principalmente dentro das fábricas; 
  • Os androides têm o “poder” hacker; 
  • Os androides começam a agir na surdida: vão quebrando o sistema silenciosamente usando a internet para isso; 
  • Existem humanos que se aliam aos androides; 
  • Guerra entre os androides e os humanos ricos (mas os ricos não descobrem que são androides); 
  • A guerra acontece via rede de internet, não existe confronto direto, pois não existem mais nenhum tipo de arma de fogo no mundo (foram extintas há muito tempo, pois, de acordo com as autoridades que decidiram isso, elas ameaçavam a vida humana, e sem elas seria impossível acontecer outra guerra – o que causaria a destruição completa do planeta); 
  • Os humanos que estavam aliados descobrem que são seres extraterrestres – mas não que são androides; 
  • Não têm nenhuma informação sobre o lugar de onde os androides vêm, apenas sabem que estão aqui para ajudar; 
  • Os androides tiram os capacetes: eles têm cabeça de gorila e corpo de humano, mas todos são sem gênero; 
  • Acabou a guerra e ficam numa sensação de abandono (ainda está na miséria); 
  • Humanos que estavam se rebelando estavam querendo desenvolver tecnologia; para sair da terra, porque os ricos já tinham um lar fora daqui, e tentam desenvolver essa tecnologia enquanto estão “abandonados”; 
  • Uma divindade pertencente ao mesmo lugar de onde vêm os androides surge na história: a Trindade. São três seres femininos que se mostram com aparência quase humana para os seres da terra, para provocar a sensação de familiaridade. Sua verdadeira forma não é revelada, muito menos sua origem, a única coisa que se sabe é que essa divindade deu origem aos androides (e que também só vieram dessa forma para não causar espanto) e os enviou para a terra para salvar a vida humana. 
  • A Trindade aparece para um grupo reduzido de pessoas (um humano e algum androide) dizendo que temos que respeitar o Tempo, mas que elas iam ajudar; 
  • Os androides não sabem de seu passado para não se apegarem as afetividades de lá, pois isso pode atrapalhar eles na missão que lhes foram designadas: salvar as formas de vida pelo universo; 
  • Questionamento: quem é essa civilização? Por que mandaram androides? Por que querem salvar a vida na terra? Qual a intenção da Trindade com isso?

A seguir serão postados as capas de cada filme da trilogia, juntamente com a história que se passará em cada um deles. Não perca!

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

SIMULANDO "GRAVIDADE" NO INTERIOR DA NAVE DISCOVERY EM "2001, UMA ODISSEIA NO ESPAÇO" / SIMULANDO LA "GRAVEDAD" EN EL INTERIOR DE LA NAVE DISCOVERY EN "2001, UNA ODISEIA EN EL ESPACIO"


DOS SIGNIFICADOS DAS "REVOLUÇÕES" HÁ 50 ANOS ... / DE LOS SIGNIFICADOS DE LAS "REVOLUCIONES" HAY 50 AÑOS ...

Há 50 anos a juventude irrompeu contra os cânones da sociedade, da política, da arte e da cultura para estrear um não-conformismo que nos falta hoje. Em 1968 Daniel Cohn-Bendit nas ruas de Paris liderava jovens contra o sistema de ensino na França e a política adotada. Esta revolução logo se espalhou para todo mundo. Em 1968, a ficção científica parece sentir este clima revolucionário e adota novos padrões, especialmente com o lançamento de três filmes revolucionários: "2001, Uma Odisséia no espaço", "O Planeta dos Macacos" e o soviético "Solaris". Stalely Kubrick guiará essa força extraordinária das imagens e da revolução do cinema de arte ligado à ficção científica.
Philip Dick lançará seu clássico livro "Do Androids Dream of Electric Sheep?", base do que seria o clássico cult-movie da década de 1980, "Blade Runner". Philip Dick e Arthur Clarke destinam suas obras ao nosso futuro nada distante, projetando naquela juventude o que veríamos e viveríamos 50 anos depois ...
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[EN ESPAÑOL]

Hace 50 años la juventud irrumpió contra los cánones de la sociedad, de la política, del arte y de la cultura para estrenar un no conformismo que nos falta hoy. En 1968 Daniel Cohn-Bendit en las calles de París lideraba los jóveness contra el sistema de enseñanza en Francia y la política adoptada. Esta revolución pronto se extendió a todo el mundo.
 En 1968, la ficción científica parece sentir este clima revolucionario y adopta nuevos canones, especialmente con el lanzamiento de tres películas revolucionarias: "2001, Una Odisea Espacial", "El Planeta de los Simios"y el soviético "Solaris". Stanley Kubrick guiará esa fuerza extraordinaria de las imágenes y de la revolución del cine de arte ligado a la ciencia ficción.
Philip Dick lanzará su clásico libro "Del Androids Dream of Electric Sheep", base de lo que sería el clásico culto de la década de 1980, "Blade Runner". Philip Dick y Arthur Clarke destinan sus obras a nuestro futuro nada lejano, proyectando en aquella juventud lo que veríamos y viviríamos 50 años después ...









domingo, 8 de julho de 2018

Reprogramación


Reprogramando... 

Caroline Ishizaki
Emilly Anselmo
Gabriela Ortado
Larissa Bellan
Letícia Azevedo
Vanessa Barbosa

Quantas questões cabem em uma produção artística? Que inquietações e afetações elas podem produzir em nós? Diante dessas perguntas e com base na série fílmica “Planeta dos Macacos” (1968; 1970; 1971; 2011; 2014) e “2001, Uma Odisseia no Espaço” (1968), buscamos a partir da feitura de um ensaio fotográfico, nesse primeiro momento, e de um GIF, o qual será postado posteriormente - produzir desassossegos... Que seres são esses? Onde estão? Direitos dos Animais? Nós somos animais também... Dominação intra e interespécies? Que maneiras de ser e estar no mundo estas sociedades estabelecem? Quais semelhanças os unem? Os comportamentos que os diferenciam? Estas, dentre outras questões que procuramos abordar em nosso trabalho artístico dispararam-nos a pensar sobre as articulações entre o poder e a religião que existiram e existem em nossa sociedade, mas também como os mecanismos de controle são criados, validados e efetivados, fixando condutas e valores.
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[sinopsis en español]
Reprogramación

¿Cuántas cuestiones cabe en una producción artística? ¿Qué inquietudes y afecciones pueden producir en nosotros? Ante estas preguntas, en el marco de la serie fílmica "Planeta de los simios" (1968, 1970, 1971, 2011, 2014) y "2001, una Odisea en el espacio" (1968), buscamos a partir de la elaboración de un ensayo fotográfico, el momento,  el cual será posteado posteriormente - producir desasos ... ¿Qué seres son esos? ¿Donde estan? Derechos de los animales? Nosotros somos animales también ... Dominación intra e interespécies? ¿Qué maneras de ser y estar en el mundo estas sociedades establecen? ¿Qué semejanzas las unen? ¿Los comportamientos que los diferencian? Estas, entre otras cuestiones que tratamos de abordar en nuestro trabajo artístico nos han disparado a pensar sobre las articulaciones entre el poder y la religión que existieron y existen en nuestra sociedad, pero también como los mecanismos de control son creados, validados y efectivos, fijando conductas y valores. (...)

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Assim como nos filmes citados, quais são os ideais, figuras e símbolos instituídos pelos nossos chefes de poder na manutenção de suas regalias e idiossincrasias... As falsas verdades cientifizadas, patologias e curas criadas, afirmação de certezas incertas, envoltos em religiosidades que nos juntam, definem, separam, subjugam e excluem. Enfim, em nossa proposta recriamos o momento de toque, contato entre criador e criatura, inspiradas no afresco “A Criação de Adão” de Michelangelo, ressignificamos o pedido de concessão característico dos chimpanzés como um gesto/expressão de biopoder entre um ser dominador e a criatura dominada. Contudo, nos espaços entre a alternância destas posições que relações outras podem ser inventadas? Ao se desviar e subverter o que foi instituído que espaços-tempos outros podem ser criados no processo do conhecido ao desconhecido?

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[EN ESPAÑOL]
En el caso de las películas citadas, cuáles son los ideales, figuras y símbolos instituidos por nuestros jefes de poder en el mantenimiento de sus regalías e idiosincrasias ... Las dichas "verdades", patologías y curas creadas, la afirmación de certezas inciertas, envueltas en "religiosidades" que nos juntan, definen, separan, subyugan y excluyen. En fin, en nuestra propuesta recreamos el momento de toque, contacto entre creador y criatura, inspiradas en el fresco "La Creación de Adán" de Miguel Ángel, resignificamos el pedido de concesión característico de los chimpancés como un gesto / expresión del biopoder entre un ser dominador y la criatura dominada. Sin embargo, en los espacios entre la alternancia de estas posiciones que otras relaciones pueden ser inventadas? Al desviarse y subvertir lo que se ha instituido que espacios-tiempos otros pueden ser creados en el proceso de lo conocido a lo desconocido?

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Almejamos explorar também no GIF a relação entre as duas produções fílmicas principalmente no que se refere às inversões de papéis referidas anteriormente. O filme “2001, Uma Odisseia no Espaço” aborda questões sobre os avanços tecnológicos culminando na desumanização humana, na humanização da máquina e a sua posterior revolta. O que há nessa ideia/necessidade de dominação (dominação da ferramenta, dos outros animais [seleção natural] por meio da ferramenta)? Por que há esse sistema de domínio desde o princípio da humanidade? O que a dominação representa para a nossa civilização? Teria a dominação relação com a evolução? Lançamos tais interrogações a vocês... Sem previsão de formação de verdades...

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[EN ESPAÑOL]
En el GIF (en creación) se analiza la relación entre las dos producciones fílmicas principalmente en lo que se refiere a las inversiones de papeles mencionadas anteriormente. La película "2001, una Odisea Espacial" aborda cuestiones sobre los avances tecnológicos culminando en la deshumanización humana, en la humanización de la máquina y su posterior revuelta. ¿Qué hay en esta idea / necesidad de dominación (dominación de la herramienta, de los otros animales [selección natural] por medio de la herramienta)? ¿Por qué hay ese sistema de dominio desde el principio de la humanidad? ¿Qué representa la dominación para nuestra civilización? ¿Tendría la dominación relación con la evolución? Y en el caso de que no se conozcan.



Posição 1 (posición1)


Posição 2 (posición 2)


Planeta dos Homens / Planeta de los Hombres


Débora C. Curti

Jordana G. Amboni

Livia de Castro P. Bernardo

Maria Helena F. Lousado


Nosso trabalho teve sua identidade estética pensada a partir da série de filmes Planeta dos Macacos, e seu aniversário de 50 anos ,e encontra sua conceituação em discussões que permeiam a idéia do comportamento sociabilizado e do comportamento animalesco.  Comportamento social que é resultado do capitalismo patriarcal, que tem sua base na violência. Violência essa que vem escancarada na relação "Macaco X Homem" presentada na série de filmes.
A discussão pode ser levada a questionar idéias de superioridade, como espécie, como etnia, como crente, como ser ou gênero. A obra trabalha com idéias de limiar entre o comportamento "civilizado" e o comportamento animalesco, comportamentos esses que dependendo do contexto histórico-social são ou não aceitos e indulgenciados, como a violência, seja ela direcionada à seres de uma mesma espécie ou não, ou conceitos como a dominação do outro, através da força física ou não. Ao pensar-se o macaco, ou a representação do macaco como uma exacerbação dos instintos animalescos presentes no próprio homem, forma-se uma estereotipia que nos permite ver atitudes naturalizadas socialmente que se assemelham com atitudes consideradas animais e irracionais, criando aí um viés de contemplativo a se considerar.

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Planeta de los Hombres
[sinopsis en español]
Nuestro trabajo tuvo su identidad estética pensada a partir de la serie de películas "Planeta de los Simios", y su aniversario de 50 años, y encuentra su conceptualización en discusiones que permean la idea del comportamiento sociabilizado y del comportamiento animal. Comportamiento social que es el resultado del capitalismo patriarcal, que tiene su base en la violencia. Violencia que viene abierta en la relación "Simio X Hombre" presentada en la serie de películas.

La discusión puede ser llevada a cuestionar ideas de superioridad, como especie, como etnia, como creyente, como ser o género. La obra trabaja con ideas de umbral entre el comportamiento "civilizado" y el comportamiento animal, comportamientos que dependiendo del contexto histórico-social son o no aceptados e indulgenciados, como la violencia, sea dirigida a seres de una misma especie o no, o conceptos como la dominación del otro, a través de la fuerza física o no. Al pensar el simio, o la representación del simio como una exacerbación de los instintos animalescos presentes en el propio hombre, se forma una estereotipia que nos permite ver actitudes naturalizadas socialmente que se asemejan con actitudes consideradas animales e irracionales, creando allí un sesgo de " contemplativo a considerar.


O desconhecido nos choca
[El desconocido nos choca]

A falta de conhecimento nos leva a tomar decisões precipitadas...
[La falta de conocimiento nos lleva a tomar decisiones precipitadas ...]

e o resultado é trágico...
[y el resultado es trágico ...]